terça-feira, 25 de maio de 2010

VOCÊ CONHECE A BATATA QUE COME?


Direita - batata transgênica / Esquerda - batata não transgênica, ambas inoculadas com uma mistura de PVY-N e PVY-O


Batata Transgênica no Brasil e no mundo.


Através de pesquisas realizadas sobre batata transgênica, nós alunos da 4ª turma de Engenharia Ambiental da FINOM-Faculdade do Noroeste de Minas, cursando o quinto período desta disciplina, verificamos que desde a adoção da transgenia na agricultura em 1994, o mundo tem assistido a um enorme crescimento da área plantada com transgênicos. Em 1996, havia 1,7 milhão de hectares cultivados que aumentaram, até o final de 2002, para impressionantes 58 milhões. Isto significa que hoje, a cada cinco plantas cultivadas no mundo, uma é transgênica. Esta alta taxa de adoção reflete a satisfação do produtor com os benefícios advindos da utilização desta tecnologia que incluem maior produtividade, menor aplicação de pesticidas convencionais e, conseqüentemente, maiores lucros para os produtores que adotam uma tecnologia ambientalmente mais segura.
As culturas transgênicas com as maiores áreas plantadas são em ordem decrescente: soja, milho, algodão e canola. Batata transgênica já foi aprovada para comercialização no Canadá, Japão e Estados Unidos e, de acordo com a FAO, mais de 45 países em desenvolvimento trabalham em projetos de pesquisa para o
desenvolvimento de batatas transgênicas.As variedades, Achat e Baronesa, utilizadas inicialmente no projeto de batata resistente a viroses da Embrapa, não são de larga utilização atualmente no Brasil apesar de que, na época em que o projeto foi iniciado, Achat se constituía na variedade líder.
Os mesmos vetores utilizados em Achat e Baronesa estão sendo utilizados para obtenção de outras variedades como Monalisa e Bintje. No entanto, por razões técnicas e comerciais, o ideal seria que novos vetores fossem desenvolvidos. Primeiramente, estes vetores não permitem que seja obtida, em uma única planta de batata resistência, combinada as duas viroses. Além desta desvantagem, os antigos vetores utilizaram a tecnologia do capsídio e da replicase que eram as tecnologias disponíveis na época quando o projeto foi iniciado. Esta tecnologia fornece uma freqüência baixa de plantas transgênicas resistentes. Nós obtivemos, aproximadamente, uma planta com alta resistência a cada 100-200 plantas transgênicas. Como o número de plantas transgênicas é um fator limitante, o uso destes vetores dificulta, enormemente, o desenvolvimento de outras variedades com resistência combinada às duas viroses. Estes problemas podem ser resolvidos utilizando-se vetores com a tecnologia de RNA interferente (RNAi), que foi recentemente desenvolvida. Vetores que exploram esta nova tecnologia permitem que, praticamente, todas plantas transgênicas obtidas expressem alta resistência viral, simultaneamente a mais de uma virose.
Portanto, a obtenção de outras variedades como Monalisa e Bintje, com resistência combinada a PVY e LRV, seria extremamente facilitada pela utilização de RNAi. Outro problema do uso dos antigos vetores é que eles possuem o gene npt II que confere resistência a um antibiótico. Apesar deste gene ser reconhecidamente seguro pelo Codex Alimentarius, é possível que um produto com este gene possa encontrar alguma resistência à sua comercialização por questões de percepção pública. O próprio Codex
Alimentarius tem orientado que novos produtos transgênicos devem evitar o uso de genes de resistência a antibióticos. Portanto, espera-se que os países membros da Organização Mundial de Comércio sigam esta orientação.
Novas variedades de batata derivadas de Monalisa e Bintje, com resistência combinada às principais viroses da cultura, trariam uma enorme redução na degenerescência dos tubérculos, aumentando a produtividade e reduzindo os custos para os produtores, já que estes não necessitariam de comprar, a cada plantio, tubérculos-sementes de batata para instalar suas lavouras. Além da Embrapa já dominar tecnologia para obtenção de qualquer variedade de batata com alta resistência a PVY e PLRV, a empresa conta com genes que podem conferir tolerância à seca e resistência a Rhizoctonia solani. A Embrapa vem trabalhando em vários projetos para desenvolvimento de plantas transgênicas em diferentes culturas. Muitos destes projetos têm sido financiados pelos produtores através de fundos ou associações. Como
exemplo de projetos que vem alcançando resultados expressivos sob esta forma de financiamento, podem ser citados os de transgenia e/ou genômica funcional, voltados para a identificação de genes com aplicação agronômica em café, algodão, eucalipto e soja.
A adoção da transgenia na agricultura se constitui hoje em uma realidade mundial e uma necessidade para os produtores que desejam se manter competitivos. As empresas de biotecnologia, assim como associações de produtores, estão investindo muitos recursos em pesquisa e desenvolvimento de transgênicos de forma a consolidar uma posição em um mercado globalizado e cada vez mais competitivo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário